domingo, 13 de junho de 2010

Gestão financeira: livro caixa como ferramenta estratégica para o dentista

por Flávio Alves Ribeiro

O dentista com uma visão mais atual e que pretende continuar inserido num mercado cada vez mais competitivo deve encarar sua atividade profissional de forma mais ampla e gerencial. A “Odontologia Extrabucal” requer cada vez mais conhecimentos e padronizações nesta área. Fazer o livro caixa como mecanismo de controle gerencial e estratégico é fundamental para que a atividade profissional possa ser realizada e direcionada para a maximização de resultados. O livro caixa é o controle financeiro onde são registradas todas as receitas (entradas) e despesas (saídas) necessárias para a manutenção de sua atividade profissional liberal. É a vida financeira do seu negócio. Saber quanto está custando ser dentista, ou seja, saber quanto entra, quanto sai, de onde vem e para onde vai o dinheiro é um conceito básico, mas que se torna indispensável para definição de metas visando crescimento profissional e autodesenvolvimento.

Costumo falar em meus cursos, quando falo em gestão de carreira, que o acerto anual do Imposto de Renda deve ser momento em que o profissional pode fazer uma reflexão de seu tempo da vida no trabalho no ano anterior. Não percam a oportunidade de fazer suas declarações de IRPF. Este procedimento permite em muitos casos tomadas de decisões estratégicas e reposicionamentos de carreira. Não devemos planejar nossas carreiras pensando somente no próximo ano. Na graduação do curso de Odontologia da Universidade Tuiuti do Paraná – UTP - pratico com meus alunos o planejamento de carreira. Uma atividade com o objetivo de refletir sobre o mercado de trabalho, onde eles registram como pretendem estar profissionalmente num prazo de cinco anos e cinco ações que deverão realizar para que a meta escolhida tenha mais chances de se concretizar. Estamos desafiando nossos alunos e pensar de forma estratégica e dentro de suas necessidades e as do mercado de trabalho.

Dentro de uma visão tributária a escrituração das despesas serve como importante redutor dos valores a serem acertados com a Receita Federal no momento da entrega da Declaração do IRPF - Imposto de Renda de Pessoa Física (modelo completo). O livro caixa fiscal utilizado no momento da elaboração do imposto de renda, encontrado em qualquer papelaria, pode ser organizado pelo próprio profissional ou sua secretária e, basicamente, deve relacionar mensalmente o dinheiro gasto para a manutenção da “empresa” e o dinheiro recebido pelo profissional. A Receita Federal não exige que este livro seja registrado oficialmente e somente exige que ele seja guardado com toda documentação comprobatória (recibos e/ou notas fiscais com nome do consumidor, endereço e dados da empresa que forneceu o produto /serviço, etc) por um período de cinco anos.

No livro caixa deve conter despesas como: pessoal (salário e encargos de funcionários/colaboradores como secretárias e auxiliares), prediais (aluguel, contas de energia, telefone, aluguel e condomínio) e outras como serviços de laboratório, materiais de escritório e limpeza, materiais odontológicos, seguros, manutenção preventiva e corretiva, marketing, etc.

Quando analisamos sobre o ponto de vista de deduções na declaração de imposto de renda podemos perceber a importância do livro caixa. Sua importância é a mesma que a de despesas como educação, saúde e dependentes. Usando a terminologia aplicada na declaração de rendimentos, a base de cálculo do imposto é o valor do rendimento bruto (o que você ganhou!!!) subtraído das deduções (o que você gastou!!!) descritas acima e previstas em lei. Estas despesas podem ser consultadas no site da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br).

O IRPF não permite deduzir todas as despesas que formam os custos totais para a manutenção de uma empresa prestadora de serviços de saúde bucal (consultório/clínica). Que pena! Nestes casos incluem-se despesas como transporte (combustível, táxi, manutenção de veículo), despesas sem comprovante fiscal, despesas com funcionários sem vínculo empregatício entre outras. Esta é basicamente a diferença que existe entre livro caixa fiscal e livro caixa gerencial.

O livro caixa gerencial (controle interno) serve para o profissional ter uma idéia e capacidade de avaliação mais próxima da realidade do fluxo de caixa da sua empresa/consultório. Neste caso como foi explicado anteriormente, todas as despesas que a empresa tem, mensalmente são relacionadas neste outro livro (ou relatório), que nada mais é do que uma complementação do livro caixa fiscal. Num processo de formação de preço da hora clínica, ter este livro caixa gerencial (relatório completo de todas as despesas) organizado é fundamental. Saber relacionar estas despesas e separá-las das despesas pessoais são pontos fracos na formação dos profissionais do Setor de Saúde. Cabe ressaltar que seu consultório/empresa custa o operacional mais suas necessidades financeiras pessoais (pró labore).

Segundo pesquisa realizada em 2003* pelo Inbrape sobre o perfil do Cirurgião- Dentista (www.cfo.org.br), 89,6% são profissionais liberais/autônomos. Em janeiro de 2010 será disponibilizada nova pesquisa e acredito que este cenário não tenha mudado muito. Este profissional deverá, como muitos brasileiros, realizar a declaração de IRPF – Imposto de Renda Pessoas Física. Estamos começando 2010 e como todos os anos no próximo dia 30 de abril será o prazo de entrega da declaração de IRPF. Período do juntar despesas que são dedutíveis do IR, como gastos com saúde, educação, contribuições previdenciárias, com dependentes, doações a determinadas entidades, pagamento de pensão alimentícia, livro-caixa, etc. É necessário também a declaração do ano anterior, demonstrativos de bancos que você tenha conta e outras fontes de renda. A partir destes indicadores citados você deverá definir que tipo de declaração entregar: Simplificado ou Completo. A Receita costuma liberar com antecedência uma versão teste da declaração do IR para um determinado ano. Aproveite esta fase e simule o preenchimento da sua declaração, escolhendo a melhor forma de envio, se pelo modelo simplificado ou completo. Como a entrega só é liberada em março, você tem liberdade total para fazer os testes sem o medo de declarar algum dado de forma errada. Com as simulações no programa você perceberá que o fator de decisão na escolha do modelo de declaração será o total de deduções que o contribuinte poderá incluir em sua declaração. Para o Dentista que tem despesas para manter seu negócio o livro-caixa é de grande importância neste momento. Quem faz sua declaração de IR? Você sabe interpretar sua declaração? Você sabe onde está sua última declaração? Faço estas perguntas por que sei que a grande maioria dos Dentistas delega para outra pessoa esta responsabilidade tributária, porém posso afirmar a vocês que o preenchimento da declaração é de fácil realização e que uma vez dominando este conhecimento, várias ações corretivas poderão ser tomadas em suas carreiras.

Gestão de custos, relação custo benefício, melhora da performance financeira, cálculo de custos profissionais e formação de preço são algumas das vantagens adquiridas quando este protocolo de modelo de gestão é realizado. O cenário mundial sofreu mudanças e transformações. Estamos atualmente na Era da Informação. Nesta era temos mudanças rápidas e a competitividade tornou-se intensa e necessária. O conhecimento passa a ser tão importante quanto o capital financeiro. Absorver estas informações e repensar sua carreira pode ser uma ótima forma de começar 2010.

As responsabilidades do contador.

por Thais Pacievitch

Contador é o profissional encarregado de trabalhar com a área financeira, econômica e patrimonial de uma ou várias pessoas jurídicas (empresas). Faz parte das tarefas deste profissional estar totalmente adequado às leis que dizem respeito ao patrimônio das pessoas jurídicas, datas e prazos dos impostos que a empresa deve pagar e interpretar, de forma correta, as informações coletadas para, desta forma, saber que atitudes devem ser tomadas para o crescimento da empresa (ou das empresas) onde exerce suas funções.

Para ser contador a pessoa deve concluir o curso de Ciências Contábeis, cuja duração é de quatro anos. O contador pode trabalhar como pesquisador, assessor (prestação de serviços),professor do segmento contábil, colaborador de pessoas jurídicas (atuando na escrituração contábil, no departamento fiscal ou pessoal), auditor (independente, interno ou externo), analista de contabilidade, perito contábil (agente fiscal de tributos) e sócio ou proprietário de escritório contábil (realizando consultoria).

O contador tem acesso a informações cruciais das empresas, por isso é preciso que este profissional paute a sua conduta com ética, cuidado e honestidade. Outros itens que podem ajudar muito um contador são possuir o hábito da leitura, ter postura crítica, gostar de matemática, ser bastante organizado, ser flexível e seguro, ser detalhista, possuir visão dimensionada e saber planejar seu trabalho.

O profissional desta área encontra facilmente colocação no mercado de trabalho, visto que toda pessoa jurídica necessita de, no mínimo, um contador, portanto, as áreas de auditoria e perícia contábil são opções, que por estarem em alta, atraem muitos contadores.

Um fato comum é que, depois de algum tempo de experiência no setor contábil, alguns profissionais abrem suas próprias empresas (ou ainda podem se associar a outros contadores formando escritórios contábeis), prestando consultoria tributária e realizando demonstrações financeiras, perícias extrajudiciais e judiciais, organização e execução de serviços de contabilidade em geral, revisão periódica de balanços e contas de uma empresa, escrituração obrigatória dos livros de contabilidade, entre uma série de possíveis atividades.

Contabilidade Financeira

por Rachel Sanderson, Financial Times, de Londres

Bob Herz, presidente do Conselho de Padrões de Contabilidade Financeira (Fasb), responsável pelas normas contábeis dos Estados Unidos, confirmou o que já era um dos segredos mais mal guardados da profissão.

As principais reguladores contábeis do mundo não cumprirão o prazo, até junho de 2011, determinado pelo G-20, Grupo dos 20 países mais industrializados, para criar um padrão contábil mundial único.

A convergência global das normas de contabilidade vem sendo o santo graal dos contadores há mais de 30 anos. Argumentam que se as maiores companhias do mundo conseguissem harmonizar seus balanços financeiros melhorariam os fluxos de capital, atenderiam melhor os investidores e reduziriam a possibilidade de fraudes empresariais, como as da Enron e Parmalat.

Desde a recente crise financeira, autoridades reguladoras e políticos compartilham cada vez mais dessa opinião.

A iniciativa pela convergência assumiu um caráter mais premente depois que o promotor americano Anton Vakulas ter revelado em março que o Lehman Brothers havia transferido US$ 50 bilhões de suas contas no fim de trimestres graças ao artifício contábil Repo 105.

Embora admissível pelas regras americanas, o uso da Repo 105 não era permitido pelas internacionais.

Agora, no entanto, os responsáveis por criar as normas contábeis mundiais - o Fasb, dos EUA, e o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb, na sigla em inglês) - sinalizaram após semanas de especulações

que estão reavaliando o cronograma da convergência.

Essa sinalização chega na esteira das queixas de investidores e empresas de que as autoridades estão apressando o processo e poderiam prejudicar a contabilidade das companhias no futuro.

Herz disse que os responsáveis por criar as normas podem aguardar que o processo de convergência - que inclui mais de uma dezena de projetos - ocorra no início de 2012.

Especialistas dizem que o atraso é um contratempo, mas pode não ser muito desastroso.

"É importante para nós termos padrões confiáveis e de boa qualidade, e se for preciso demorar mais um pouco eles deveriam usar o tempo que for necessário", diz Pauline Wallace, chefe de assuntos regulatórios da auditoria PricewaterhouseCoopers.

Canadá, Brasil e, possivelmente, Japão adotarão as normas internacionais ao longo deste ano e "havia pressões para ter a convergência até lá [junho de 2011]" para incrementar a força do processo, diz David Larsen, da firma de assessoria financeira americana Duff Phelps.

Há receios entre os integrantes do Comitê de Supervisão Bancária da Basileia sobre como calcular as taxas de alavancagem, porque os responsáveis pelas normas ainda não chegaram a um acordo sobre as grandes diferenças entre o que deve ficar fora e dentro do balanço patrimonial.

Os investidores continuam esperançosos. Peter Vipond, diretor de regulamentação financeira da Associação de Seguradoras Britânicas (ABI, na sigla em inglês), um dos maiores grupos de investidores do Reino Unido, afirmou que, embora o grupo apoie a convergência, isso não deve ocorrer à custa da qualidade das normas.

De fato, alguns contadores dizem que o principal derrotado poderia ser David Tweedie, presidente do Iasb, cuja data de aposentadoria coincidiria com o prazo para a convergência, junho de 2011, algo que traria brilho adicional a seu legado.

Tweedie, cuja anúncio de substituição é esperado em julho, disse repetidas vezes que tal atraso poderia ser prejudicial para o processo de convergência porque o novo presidente poderia levar tempo para estabelecer-se em seu novo cargo.

Fonte: Valor Econômico